O impacto do comércio eletrônico em países em desenvolvimento: O caso do BRICS

A abordagem do comércio eletrônico como objeto de estudo na Ciência da Informação implica diferentes nuances.

Considerando-se que o comércio eletrônico é uma estratégia econômica que vem sendo paulatinamente naturalizada como modalidade preferencial, constata-se que embora seja uma instância comercial deliberadamente fugidia, se pauta pelas políticas e modelos econômicos locais e sofrem agenciamentos múltiplos advindos do contexto sociocultural dos diferentes países.

No caso específico do BRICS, que está simultaneamente em quatro diferentes continentes (América do Sul, Europa, Ásia e África) introduzem-se múltiplos elementos históricos, culturais e políticos que se apresentam como desafios para o funcionamento efetivo enquanto bloco econômico e em relação à soberania política dos Estados Nacionais.

“É inquestionável que os novos cenários do mundo pós-moderno, em uma economia muito mais globalizada, o surgimento de arranjos político-econômicos muda o foco dos países que tem uma estrutura sócio-econômica semelhante à hegemonia das grandes potências. Ele cristaliza o tornando-se, acima de tudo, esperança para os jovens talentos em busca de uma oportunidade de oferecer a baixo custo  soluções eficazes para os problemas globais, através da utilização de novas tecnologias, nivelando o conhecimento, permitindo, portanto, condições para o desenvolvimento desses países.
Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, no contexto de economias globais estão trilhando novos perspectivas com a formação de aliança que reforça compartilhamento de objetivos, modelando, assim, uma nova ordem mundial, muito diferente daquele descrito na transição do século XX para o XXI . Previsões globais projetam  estes países com o centro do desenvolvimento, embora existam muitos desafios a serem superados nos setores mais básicos.” ( Morais Neto et al . p. 5) 

O comércio eletrônico é uma modalidade que se caracteriza pelo uso intensivo de infraestruturas tecnológicas e informacionais que, conforme a OCDE, “organizam a venda de bens ou serviços, efetuados por uma empresa, pessoa física, um gestor ou qualquer outra entidade pública ou privada e se realiza através de uma rede eletrônica.”

O caráter pervagante e intrusivo dessa modalidade comercial tenta naturalizar, pela via do fluxo de informações em rede, o consumo ao alcance de um clique. Devido ao caráter transnacional da web, a internacionalização do consumo se intensificou e introduziu novos padrões culturais em uma proporção inaudita.

Em relação ao bloco econômico  BRICS  parece-nos oportuno compreender como essas diferenças sócio-históricas são propositalmente rarefeitas em prol das trocas comerciais.

  • Como as questões culturais são abordadas?
  • Como as diferenças políticas e, portanto de liberdade de informação, são reconfiguradas para que o fluxo de consumo possa se realizar?

Em virtude do exposto e das questões norteadoras, espera-se  compreender a modalidade de comércio eletrônico realizado nos países que compõem o BRICS e nas próprias regulações do bloco econômico.

Além disso,  espera-se compreender o lugar social da informação e os desafios sócio técnicos de se pensar a organização da informação atravessada  pelos diferentes agenciamentos sócio-políticos contemporâneos.

 


Referências

MORAIS NETO, Arnaldo Sobrinho de, et al.  Brazil and international conflicts resolution in e-commerce: analysis of conflict resolution based on the Cisg. Disponível em: link. Acesso em: 02 out. 2014.

OCDE. E- commerce. Disponível em: link. Acesso em 02 out.2014