O BRIC foi uma sigla concebida pelo economista Jim O’Neill, do banco de investimentos Goldman Sachs, no estudo “Building Better Global Economic BRICs”, para designar o grupo de países integrado por Brasil, Rússia, Índia e China, caracterizados como economias emergentes destinadas a ocupar posição de crescente relevância na economia mundial. Sua criação ocorreu devido à necessidade de estudar as economias desses países, cuja perspectiva é a de superarem, juntas, até 2050, as economias dos sete países mais industrializados e desenvolvidos do mundo (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Canadá, Reino Unido, França e Itália), ou Grupo dos 7 (G7).
A primeira reunião formal de chanceleres realizou-se em 18 de maio de 2008, em Ecaterimburgo, marcando o momento em que o BRIC deixou de ser uma sigla que identificava quatro países ascendentes na ordem econômica internacional para se tornar uma entidade político-diplomática. Desde 2009, o grupo se reúne anualmente na forma de encontros de Cúpula.
Em setembro de 2010, na reunião de Chanceleres do BRIC, realizada no contexto da Assembleia Geral da ONU, o grupo decidiu pela incorporação da África do Sul, classificado como o 12º maior país emergente do mundo. Tal decisão foi formalizada por ocasião da 3ª Cúpula do Agrupamento, em Sanya, na Província de Haynan, na China, em 14 de abril de 2011. Com a adesão da África do Sul, o grupo passou a ser denominado BRICS (sendo a letra S referente à South Africa).
O relatório intitulado Building Better Global Economic Brics, elaborado pelo Goldman Sachs, mapeou as economias dos países que primeiramente compuseram o BRIC até 2050, a partir de projeções demográficas e modelos de acumulação de capital e crescimento de produtividade. Com base nesses estudos, avaliou a possibilidade de as economias desses países superarem as do G7.
O Brasil é um país exportador de produtos agropecuários, produtor de combustíveis renováveis, fornecedor de matérias-primas, como petróleo, aço e alumínio, e possui reservas naturais de água, fauna e flora. A Rússia é importante fornecedora de hidrocarbonetos e também teria, segundo o estudo do Goldman Sachs, papel importante na exportação de mão de obra altamente qualificada e tecnologia de ponta. Já a Índia tem a maior média de crescimento entre os BRICS, devendo ficar atrás somente da China, e investe na profissionalização de sua população, com tradição nas ciências exatas. O estudo prevê que a China será a maior economia mundial em 2050, tendo como base seu acelerado crescimento econômico, com grande desenvolvimento nos setores de indústria e tecnologia.
Como se observa, os BRICS diferem entre si no que se refere a recursos naturais, graus de industrialização e capacidade de impacto na economia mundial. Haveria, portanto, uma divisão de funções entre os países, cabendo ao Brasil e a Rússia o papel de produtores de alimentos e de petróleo, além de fornecedores de matérias primas. A Índia e a China seriam os maiores responsáveis pelo fornecimento de serviços e manufatura, devido a sua concentração de mão de obra e tecnologia, respectivamente. A África do Sul representa a maior economia do continente africano. Com oferta abundante de recursos naturais, particularmente na área da mineração, tem bom desenvolvimento nos setores financeiro, jurídico, de comunicações, energia e transportes, além de uma bolsa de valores classificada entre as vinte melhores do mundo.
Embora os cinco países não constituam um bloco político nem uma aliança de comércio formal ou militar, têm negociado tratados de comércio e cooperação com vistas a aumentar seu crescimento econômico.
No dia 15 de julho de 2014, o grupo assinou um acordo que oficializa a criação do chamado Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), que tem por objetivo financiar projetos de infraestrutura em países emergentes. O Banco, cuja sede ficará em Xangai, China, será presidido por um indiano. O Brasil indicará o primeiro presidente do Conselho de Administração, enquanto a Rússia, o presidente do Conselho de Governadores. Já a África do Sul, sediará o Centro Regional Africano do banco.
É bem verdade que esses cinco países têm formações históricas e matrizes culturais bastante distintas, todavia, talvez justamente por essa razão, possam gerar um novo paradigma econômico de atuação internacional.
Referências
AMATO, Fábio; TEIXEIRA, André; ALVES, Gabriela. Após dois anos, BRICS formaliza criação de banco para financiar obras. G1, 15 jul. 2014. Disponível em: link. Acesso em: 10 set. 2014.
REIS, Maria Edileuza Fontenele. BRICS: surgimento e evolução. In: O BRASIL, os BRICS e a agenda internacional. Brasília: FUNAG, 2012. p. 31-47. Disponível em: link. Acesso em: 8 set. 2014.
Senado Federal. Disponível em: link. Acesso em: 10 set. 2014.

