Lançada em agosto de 2008, a Fashion.me tornou-se a principal rede social focada em moda do mundo. Cresce, em média, 300% ao ano e já soma mais de 1 milhão de usuários, sendo que 97% do público é feminino.
Os criadores, Flávio Pripas e Renato Steinberg, formados em computação e com MBAs, tinham carreiras sólidas e promissoras na área de tecnologia do mercado financeiro quando resolveram atender ao apelo de suas mulheres e desenvolver o site, então chamado ByMK (de Marcela e Karen, nomes das respectivas).
O trabalho foi realizado em quatro finais de semana, com investimento inicial de R$ 30 mensais para pagar a hospedagem do site. Alguns meses depois, a rede reunia 25 mil pessoas e crescia de maneira exponencial. Em abril de 2009, Pripas e Steinberg deixaram seus empregos, assumiram o comando e profissionalizaram o site.
Nessa nova fase, os sócios investiram R$ 200 mil com recursos próprios e passaram a buscar fontes de receita para a plataforma. Menos de um ano depois, tinham recuperado o investimento e cresciam em ritmo acelerado. O grande salto começou a se desenhar em abril de 2010, quando os empreendedores receberam uma proposta de compra. O passo seguinte foi se apresentar ao mercado global, em uma conferência em Nova Yorkda publicação especializada TechCrunch, em maio de 2010.
Foi assim que surgiu necessidade de aprimorar a estrutura do site e o interesse da Intel Capital, braço de investimentos de risco da fabricante de processadores, que se tornou sócia da dupla em 2012. Logo depois de fecharem o acordo, Pripas e Steinberg apareceram na lista das cem pessoas mais criativas nos negócios em 2012 da revista Fast Company, umas das referências do mercado de empreendedorismo digital.
A expansão internacional da Fashion.me conta com a contratação de uma profissional em Nova York especializada em desenvolvimento de negócios. No Brasil, 13 funcionários ajudam os sócios a tocar o negócio e a tornar a rede social melhor a cada dia.
O objetivo dos sócios, da expansão do negócio , é garantir longa vida ao site. O faturamento da empresa vem de anúncios, ações promocionais e comissões sobre as vendas de lojas virtuais que têm links exibidos no site.
O conteúdo é gerado pelo público, que se esmera em montar os melhores looks a partir de fotos de roupas e acessórios encontrados na internet. “O trabalho das usuárias é o mesmo das editoras de moda nas revistas especializadas”, diz Helena Campos, editora-chefe da Fashion.me. A diferença é que a diversidade na combinação das peças está garantida pela enorme quantidade de participantes. “Elas vão identificando estilos parecidos com os delas e acabam aprendendo umas com as outras.” Algumas usuárias fazem tanto sucesso que chegam a reunir milhares de seguidores.
Para as marcas, a plataforma representa um canal direto com entusiastas e compradoras de moda. Mais de 60% do público tem entre 20 e 35 anos, ensino superior completo e carreira estabelecida. “Quem está no Fashion.me é a mulher comum, a consumidora de moda que acaba se transformando, na rede social, em formadora de opinião e divulgadora da marca”, diz Marielle Vasconcellos, gerente de marketing e relacionamento da grife espanhola Adolfo Dominguez no Brasil. Empresas de vários segmentos do universo da moda já fecharam parcerias comerciais com a Fashion.me, desde as populares Renner, Riachuelo e C&A até a luxuosa Armani.
Referência
NUCCI, João Paulo. Os nerds estão na moda. Revista Gol, p. 132-136.
