Durante o período compreendido entre os anos de 1970 à 1990, o mundo dos negócios caracterizou-se por baixa expansão comercial. Isso pode ser atribuído ao fato de as organizações funcionarem de forma independentes e predominantemente hierárquicas. Nesta época, as regras de gestão haviam sido desenvolvidas com base nos anos de experiência, transmitida pelas gerações tradicionais e pelos ensinamentos ministrados nas escolas de negócios.
Todavia, os anos posteriores foram marcados por muitas mudanças em decorrência do o impacto da combinação entre Internet, computadores, software, globalização dos negócios, telefones celulares e tecnologias de informação. Um mundo que, de certo modo, era previsível, quase que instantaneamente sofreu uma mudança tectônica, tornando-se, rapidamente, descontínuo e imprevisível. Os planos estratégicos foram suspensos, as previsões de vendas foram escaladas em horizontes mais curtos e começaram a surgir alianças para possibilitar a adaptação à mudança.
Atualmente, o mundo dos negócios passa por um período de transformações que exigem reajuste maciço e reavaliação das prioridades, dos estilos de liderança, bem como dos métodos de interação. Dentre os aspectos que precisam ser considerados por causarem impacto nos negócios destaca-se a necessidade de colaboração.
Com o advento da Internet, o fortalecimento das comunicações e a grande mudança da conectividade entre clientes e fornecedores, que passou a ser maior, o novo mundo da empresa global agora é muito mais integrado, acelerado e conectado. Isto exige um novo tipo de negócio – altamente cooperativo. Neste sentido, independência deixou de ser uma estratégia sustentável para o sucesso, sendo substituída por conexão e cooperação.
No mercado competitivo global, um número crescente de organizações está explorando o potencial das tecnologias em rede para conduzir negócios através da Internet. Estas tecnologias permitem a implementação de modelos de negócios, que eram impensáveis há alguns anos, como o comércio colaborativo entre empresas em distintos espaços geográficos.
Comércio colaborativo é definido por Li, Du e Wong (2005) como o uso de tecnologia da informação para alcançar maior integração e melhor gestão de relações comerciais entre as partes interna e externa. Colaboração empresarial pode trazer vantagem competitiva para toda a cadeia de fornecimento por diminuir os custos de desenvolvimento de produtos, encurtar o tempo de mercado e melhorar a qualidade do produto.
Comércio colaborativo é, ainda, definido por Rico et al. (2009) como a utilização de tecnologias da Internet para integrar processos de negócios de uma empresa com os de seus consumidores, fornecedores e parceiros comerciais. Ao fazer uso das capacidades do comércio colaborativo, parceiros comerciais podem operar como entidade de negócios integrados. Eles podem tomar decisões conjuntas e focar na adição de valor que pode ser estrategicamente percebida pelos seus clientes.
Neste contexto, ressalta-se que sem a tecnologia da informação, empresas como a Dell, Purina Nestlé e Wal-Mart teriam dificuldades em atingir os atuais níveis de expansão comércio colaborativo. Sem ferramentas como planejamento colaborativo, software de previsão e de design de colaboração, ou mesmo simples e-mail, eles não teriam conseguido grandes reduções nos custos e tempos de ciclo, nem melhorias no rendimento de levar produtos e serviços ao mercado mais rapidamente e de forma mais eficiente do que seus concorrentes. O impacto de ter visibilidade melhor a partir de informações distribuídas para fornecedores e parceiros em tempo real ou quase em tempo real é inequívoca.
Ao contrário de anos anteriores, em que empresas independentes produziam quase tudo o que precisavam para vender, esta nova fase exige que elas se concentrem no que fazem de melhor e criem alianças estratégicas. As empresas estão agora aprendendo a importância de estarem integradas e conectadas com seus clientes, seus sistemas de lançamento e com seus fornecedores.
Referências
LI, Eldon Y.; DU, Timon C.; WONG, Jacqueline W. Access control in collaborative commerce. Decision Support Systems, v. 43, n.2, p. 675– 685, 2007. Disponível em: link. Acesso em: 10 maio 2013.
LYNCH, Robert Porter; WELCH, Todd. Collaborative Commerce. Disponível em: link. Acesso em: 10 maio 2013.
RICO, Mariela et al. Adding semantics to electronic business documents exchanged in collaborative commerce relations. Journal of Theoretical and Applied Electronic Commerce, v. 4, n. 1, p. 72-90, Apr. 2009. Disponível em: link. Acesso em: 10 maio 2013.
THE FOCUS of future collaborative initiatives: business processes and key technology investments. In: Collaborative commerce: compelling benefits, significant obstacles. NerveWire. 2002. p. 18-20. Disponível em: link. Acesso em: 10 maio 2013.